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Falling - Florence and The Machine
Ter te conhecido assim, tão de repente, me fez pensar em coisas que eu nunca havia pensado antes. Como na razão das coisas acontecerem na vida. Sobre destino e acaso. Pensei muito, tentando entender a razão de você ter aparecido e mudado tanto a minha realidade. Sim, pois, já não há dúvidas que você mudou muita coisa em mim. Antes tinha medo de falar sobre nós, achava meio precipitado, mas agora, simplesmente falo, por que me faz bem. Pois já não me importa o quanto eu estou em você, mas sim o quanto você está em mim. E pensando tanto sobre nós, cheguei à conclusão, que ter te conhecido foi um caso de sorte, sim, sorte dessas de ganhar na loteria. Nem destino, nem acaso, mas sorte. Pois imagina se a gente não tivesse se encontrado, que azar. E não acredito em destino, o que não anula a ideia de sorte ou azar. É isso, tive muita sorte ao te encontrar. Agora eu só quero viver o hoje e o pra sempre, o tempo todo, contigo, independente da situação. Pois o tempo não faz sentido quando estamos juntos, ele praticamente não existe, só existe na hora da despedida, e na contagem progressiva para a próxima vez a te encontrar.
Texto dedicado à bela história de amor e amizade de um amigo.
Zé Ninguém vivia pensando em se matar, mas tinha preguiça. Sim, apesar de achar que a morte seria a única solução para sua vida desgraçada, não encontrava um jeito fácil de cometê-la. Já havia ouvido falar sobre cortar os pulsos, mas também sabia que nem sempre funcionava, então logo descartou. Sem contar no embaraço de responder sobre as cicatrizes, e também na sujeira de sangue que teria que se livrar, “melhor não” matutou consigo mesmo. Podia também se encher de remédios, mas e de repente se tivesse só convulsões, mais explicação a dar, talvez até lhe colocassem pra se consultar com um médico pra cabeça, e assim, deixou mais uma ideia de lado. Mas claro! Como não havia pensado nisso antes?! Poderia se enforcar… Mas aí lembrou que não tinha uma corda resistente, e essa maneira era dolorida de mais. No meio de toda reflexão, Zé Ninguém ligou a televisão, e estava passando seu programa favorito, lembrou-se da pizza do dia anterior que estava na geladeira, e logo sua boca salivou, se ajeitou no sofá, controle remoto em uma mão, e na outra uma fatia da pizza. E o suicídio, achou melhor adiar.
Desde que nasci, falo, falo, falo, sem cansar. Falo sem agir, inoperante desde 1993.
Insisto, repito, e volto, mas não paro de falar. Falo onde quer que esteja, falo com muitos e até com ninguém, mas não paro de falar, nunca, falo pra fora, e falo pra dentro. Falo da vida, malsucedida, e também dos sucessos da lida. Falo comigo, mas não gosto, tenho que externar. Falo de amor, faço intriga, mato a harmonia, mas não paro falar. Falo dos outros, sem descriminar, falo de todos. Mas gosto mesmo é de falar de mim. O maior ego do mundo, e a pior autoestima também. Falo, de novo, repetidamente, mais uma vez, novamente. Aos sussurros, e aos berros, não importa como, só o que me importa é falar.
Eu a vi na rua, ela tentava subir em uma árvore,
Enquanto eu tentava subir na vida,
Agarrava-se ao tronco, como eu me agarrei à expectativa,
Olhava para os lados, seria fugitiva?
A Gata, e eu na avenida, cada um na sua lida.